- Larga-me! Deixa-me sair daqui! – Uma mão. Uma mão escura, e degrada teimava em manter-me prisioneira nas sombras. Uma densa coberta de fumo negro e fastidioso impedia-me de ver as feições do meu agressor. – Nick, ajuda-me! – Gritei histericamente enquanto o meu corpo suado se erguia na direcção de uma intensa luz matinal.
As minhas mãos tremiam louca e compulsivamente. O seu grito tinha a mesma frequência que tem a dor de uma mãe ao perder o seu filho recém-nascido. Lágrimas salgadas começaram a brotar, violentamente, do mais íntimo do meu ser. O meu coração chorava de amargura e desespero. O meu coração pressentia uma brecha dolorosa no meu destino, uma ferida que podia nunca mais vir a sarar.
- Happy Birthday, Sweetheart! – Por momentos, tudo aquilo que havia vivido com Nick, parecia não ter passado de uma miragem, da mais agradável das miragens. A sua presença no meu quarto não passaria de um desejo infantil, de um sonho inconcebível.
- Princesa, sentes-te bem? – Alguém me abanava carinhosamente o ombro. O seu rosto ostentava uma máscara de verdadeiro terror e preocupação descomedidos.
Quando percebi que o meu devaneio era real, agarrei instintivamente o esqueleto trémulo de Nicholas, esmagando o meu suposto bolo de aniversário contra os nossos corpos escanzelados. Tinha tanto medo de o perder. Ele era o meu mundo. O meu oxigénio quantizado.
- O que te aconteceu? – Perguntou, afastando-me com todo o cuidado. Nunca vira Nick tão inquieto e ansioso.
- Um pesadelo. Foi só um pesadelo. – Esbocei um sorriso forçado com o carvão que ainda me restava. Não devo ter sido suficientemente convincente, pois a sua preocupação não abrandara nem um só centímetro. – Vá, come um pedaço de bolo. – Dividi o que me pareceu ser uma fatia de bolo meticulosamente cortada com o auxílio das minhas duas mãos. Coagi Nick a experimentar aquele emaranhado de massa folhada e creme esbranquiçado com aroma a caramelo e baunilha.
- Tu também o devias experimentar. Está delicioso. – Gargalhou ao cobrir a minha boca com aquela massa de conteúdo duvidoso. Não havia nada que se equiparasse a começar um belo dia, na cama, com a pessoa que mais amamos.
- Alguma vez te expliquei o quanto te amo? – Murmurei lentamente com os lábios encostados ao seu ouvido.
- Parece-me que não. – Tentou provocar-me com um brilho malicioso a descoberto no olhar. – A propósito, esqueci-me de te dar a tua prenda. – Apressou-se a procurar o embrulho que se encontrava atrás de si. - Tchanan!
Os presentes. Eu sempre analisara as prendas que recebia de uma forma bastante peculiar. Para mim, o mais importante não era o conteúdo, mas sim, a surpresa. Está claro que, o seu significado também era muito importante. No entanto, o período de tempo em que se formava toda aquela expectativa do que seria ou do que não seria, fascinava-me.
O embrulho era delgado, possuía uma forma oval e uma laço distinto. Desmanchei o embrulho com esmero. Uma caneta. Uma bela e formidável caneta antiga bordada a ouro.
P.s Obrigado a todos os que comentaram. Vocês são espectaculares!
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