Como todas as histórias, a minha também tem um fim.
Foram muitos e longos os anos que eu demorei a perceber o significado de tudo aquilo que me tinha acontecido. Eu queria ter visto. Juro que queria ter percebido mais cedo. No entanto, o ser humano só adquire o conhecimento quando já não precisa dele.
Nick tentara aproximar-se de mim, por diversas vezes. Mandava-me flores, escrevia cartões de um desespero suplicante e, uma vez, até me chegou a fazer uma bonita serenata. Todavia, eu estava cega. Cega por um feitiço que não existia. Cega por algo que já morrera há muito tempo atrás. De facto, Conelli enfeitiçara a maldita caneta. Segundo ditam as regras da magia negra, quem possuísse o artefacto seria incapaz de amar os que mais lhe eram queridos. Mas, como não há regra sem excepção, todo aquele que amasse verdadeiramente, que desejasse acima de tudo ser feliz ao lado da pessoa amada e tivesse um coração livre e puro conseguiria quebrar o encantamento.
Eu não possuíra esse coração puro, essa alma livre e destemida para amar. Estava demasiado preocupada com as minhas acções, os meus medos e os meus fracassos. Fechara o olhos para a beleza da vida. Fechara os olhos para o canto dos passarinhos e o brilho esplendoroso de um raio de Sol. Colocara tudo em primeiro lugar, menos o mais importante. Tentara construir a casa, começando pelo telhado. Fizera tudo errado. Comportara-me como uma criança estúpida e mimada que só tinha a capacidade de contar as bonecas que existiam no seu pequeno mundo.
Passado alguns meses, os telefonemas haviam cessado, as férias de verão estavam à porta e uma nova etapa das nossas vidas acabava de começar. Desde então, nunca mais ouvira o nome de Nicholas.
Enquanto passeava à beira-mar, numa aprazível manhã de Verão, as ideias clarearam-se na minha mente. Quis correr e procurar Nick, quis abraçá-lo e pedir-lhe perdão, mas era tarde demais. Ele já refizera a sua vida. Casara-se com um mulher bonita, bem sucedida e que, acima de tudo, amava e cuidava dele. Eu não podia , agora, aparecer-lhe à frente, dizer que tinha cometido um erro descomunal, e estragar tudo aquilo que eles haviam construído.
Não havia nada como suportar a dor dos nossos próprios erros. Talvez assim, aprendesse a dar valor às coisas.
Fim
P.s Obrigado a todos os que leram a minha pequena história.
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