Saturday, August 30th, 2008

Dança sem fim, Morte sem ritmo - III

 

P.s:

 

* Firstly: I want to thank tou, João, for the great comment, for you being my only masculine reader;

 

* Secondly: I'm so sorry Biscoita, but I just love this music. I can't stop listening to it.

 

* Thirdly: Barlow girl - Porcelain heart

 

 

Os meus lábios cobriram violentamente a sua boca. Não sei se foi o meu instinto de sobrevivência a falar mais alto, ou o intenso desejo que eu sentia pelo seu corpo a apoderar-se da minha pouca sanidade mental. Talvez, uma conjugação de ambos os factores.

 

O ruído da lâmina a colidir com o chão de madeira, já comido pelas traças, ecoou por toda a minha cabeça.

Os seus braços rodearam-me o pescoço com firmeza. Correspondeu ao meu beijo com uma avidez assustadora. Corri-a velozmente por um tesouro perdido, por um cura que não existia.

A minha respiração acelerou. O meu coração queria saltar-me do peito, tal era a ânsia com que batia. Um fornalha abrasadora ardia dentro de mim. 

Desejava possuí-la ali mesmo.

As suas mãos deslizaram por baixo da minha t-shirt, subiram-me pelas costas e o meu tronco ficou nu. Fiz o mesmo com as suas roupas. Acariciei-lhe o peito e mordisquei-lhe os mamilos, o que a fez gemer de prazer.

- Agora, por favor. – Pediu com os olhos embaciados e uma voz ofegantemente rouca.

As nossas restantes roupas foram arremessadas contra a janela  empanada, que se encontrava do lado oposto à porta, onde os nossos corpos suados embatiam energicamente.

As nossas línguas dançavam freneticamente ao som de tambores africanos, quando eu a penetrei. Entrei dentro daquela bela criatura, de quem eu nem o nome sabia, de uma forma levemente profunda. Os nossos corpos ganharam ritmo. As nossas gargantas gritavam por um novo amor, por existência diferente, por um sentimento há muito esquecido.

 

Deixámos a exaustão tomar conta das nossas mentes.

 

 


Written by Rachel às 08:24 pm
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Friday, August 29th, 2008

Dança sem fim, Morte sem ritmo - II

 

 

 

 

 

 

 

 

P.s Em primeiro lugar: queria vos agradecer por todos os comments.

Em segundo lugar:  Biscoita obrigada pela longa conversa, és um amor.

Em terceiro lugar: Puky, fazes me imensamente feliz, és uma querida.

Em quarto lugar: Dark angel, és única. Obg pela tua dedicação.

Em quinto lugar: Diamond, a hist. do capuchinho tá :O.

Em sexto lugar: Tutty a minha leitora nova:DD

Em sétimo lugar: espero não me ter esquecido de nada!

 

 

 

 

 

 

Uma mão delicada rodou a maçaneta. Um rosto selvagem foi descoberto pelas sombras.

 

 

O meu coração parou.

Os seus cabelos eram fogo. Um emaranhado de chamas agrestes e encaracoladas.

A sua pele marmórea em contraste com a roupa escura e demasiado justa provocava-me calafrios.

O seu olhar tornara-se penetrante. Lembrava-me duas estrelas cadentes. Mágicas e cintilantes, a quem eu podia pedir o meu desejo mais secreto.

Os seus finos lábios gesticularam mentalmente duas palavras. Duas palavras que pareceram significar a sua morte. Duas palavras que pareceram significar a sua destruição. O seu fim. Bill Kaulitz.

Os seus joelhos começaram a tremer freneticamente, até que desabaram. Deixou-se cair sobre o soalho desonesto. As lágrimas percorriam-lhe as faces. Chorava, desalmadamente, como uma criança perdida. Lágrimas quentes e gordas, que me trespassavam a alma.

Corri para junto dela.

- Não. Afasta-te. Eu posso ser perigosa. – Murmurou tristemente. A sua voz era suave, como uma brisa de primavera. Encantadora, como o mais belo conto de fadas.

Ignorei-a. Arrastei o seu corpo delgado para dentro do quarto e fechei a porta atrás de mim. Sentei-me ao seu lado. Encostei o seu peso morto contra o peito. Afaguei-lhe o cabelo, enquanto a observava libertar-se da sua dor.

Sem me dar tempo para pensar, as suas mãos deslocaram-se cuidadosamente até ao bolso das calças.

 

- Eu avisei-te. Eu disse-te que podia ser perigosa. – A sua voz estremeceu. Segurava uma lâmina bem afiada entre as garras esguias.

 

 

 

 

I feel like...: Oláaaaaaaa

Written by Rachel às 12:49 pm
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Thursday, August 28th, 2008

Dança sem fim, Morte sem ritmo - I

P.s First Chapter

 I hope you like.

 Dedicated to Biscoita :D

I miss your comments my dear!

Cry - Mandy Moore

 

 

 

 

 

As crianças julgam-se incompreendidas a maior parte do tempo. Eu não faltei à regra, mas fi-lo de uma maneira especial. Chorei e sorri, sofri e aprendi. Não me limitei a ser o que as pessoas gostariam que eu fosse. A cada dia que passava, lutei sempre por algo melhor. Algo que me fizesse feliz. Algo que me completasse.

Tom Kaulitz, uma pessoa fundamental para a minha existência. O único amigo, que me apoiou incondicionalmente ao longo dos anos. O irmão que nunca me faltou nos momentos de desespero.

Georg e Gustav complementam a nossa família.

Agora, aqui estou eu. Uma estrela do rock.

Num quarto de hotel escuro e poeirento afogo as últimas lágrimas que ainda me restam. Sinto-me vazio. Tanto por fora como por dentro.  Os inúmeros adornos que me preenchem o corpo não são suficientes, para fazer evaporar esta sensação de nudez que me consome a alma. As fãs fazem-me sorrir, mas é um sorriso momentâneo, que não se prolonga pelas noites frias e sem viver. O dinheiro pode-me me comprar umas férias de sonho num hotel de sete estrelas, uma ilha paradisíaca no oceano Pacífico, mas de que serve tudo isso se eu não tiver ninguém com quem o partilhar?! A fama apresenta-me ao mundo. Proporciona-me todo e qualquer conhecimento. O problema é que no final, a única coisa que essas pessoas querem é aproveitarem-se de tudo aquilo que eu alcancei.

Eu não conseguia ser igual ao meu irmão. Não gosto de aventuras de uma noite. Não gosto de usar e deitar fora as pessoas.

A esta hora, lá devia estar ele acompanhado de uma bela deusa de cabelos sedosos, olhos brilhantes e corpo moldado por longas horas no ginásio.

Truz... Truz – Os rapazes nunca batiam à porta. Quem seria?

 

music: Cry - Mandy Moore

Written by Rachel às 02:24 pm
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Dança sem sim, Morte sem ritmo

P.s Esta pode ser uma nova Fic, ou simplesmente um Oneshot.

       Está nas vossas mãos.

 

                                 Prólogo ou Oneshot?

 

          - Eu avisei-te espanador! Eu disse-te para não te meteres com aquela puta. – A lâmina fria e afiada aproximava-se cada vez mais do meu pescoço. A minha respiração tornava-se gelidamente ofegante. A minha pele estremecia ao ouvir o seu tilintar estrídulo. Mantinha-me silencioso. Já não havia mais nada que eu pudesse fazer. Era melhor assim. Eu preferia morrer a ter de disputá-la com o meu próprio irmão. Apesar de que, desde há muito tempo que ele não era a mesma pessoa. O ser doce e divertido que eu tanto amava desaparecera. A minha alma gémea, o sangue que me corria nas veias fora substituído por um demente. Um louco sem dó nem piedade, que detinha como principal objectivo: a vingança, dura e crua.

A morte era de facto uma solução muito mais aprazível. Não queria continuar a vê-lo destruir as pessoas que eu tanto amava. Não queria presenciar a sua própria autodestruição.

Já me tinha ameaçado de morte, por diversas vezes. No entanto, eu jamais pensara que ele tivesse mesmo coragem de o fazer.

- Então, meu grande cabrão, tu agora já não falas? Já não me vens com aquela tretas moralista de que tanto gostas?! – Lágrimas de sangue começaram a brotar do meu corpo. Pérolas salgadas jorraram-me violentamente dos olhos.

Finalmente, encontraria a paz que por tanto ansiava. Só tinha pena que tudo tivesse de acabar assim. Só tinha pena de não lhe ter dito mais vezes o quanto a amava. Só tinha pena de não ter conseguido chamar o meu querido irmão à razão.

 

music: No music

Written by Rachel às 12:01 am
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Monday, August 18th, 2008

Um amor e uma perda

 

P.s Ouçam: Ride it de Jay Sean

Queria dedicar esta criação à Puky e à dark angel, bem como a todas as pessoas que me apoiam!

 

        [Bill]

        Queria sair de casa. Queria desanuviar a cabeça de todos estes problemas. Queria que me deixassem em paz, pelo menos uma vez na vida. Já não suportava mais tanta perseguição, tanta falsidade, inveja e conflitos. Tudo por causa do meu dinheiro. Tanta merda, tanta traição por causa de alguns euros. Quem eram eles para exigir o que quer que fosse? Eu trabalhava, eu cantava, eles se quisessem dinheiro que fossem por o cu a render.

            Será que ninguém ia alguma vez gostar de mim apenas pelo que eu sou?! Não devia ser grande coisa, também.

            Peguei no meu descapotável prateado e acelerei a toda a velocidade pelas estradas calmas, que me conduziam ao meu santuário. O meu templo nas alturas. O único lugar onde não havia ninguém para me perseguir.

            O ar já começava a mudar. A minha respiração ficava mais leve, o meu corpo perdia-se naquela imensidão, naquele pedaço de oceano sem fim. A cada segundo as montanhas iam-se tornando mais altas, a vegetação intensificava-se, a tonalidade das árvores convertia-se num verde solenemente cristalino.

            Estaquei o carro com uma travagem violenta, a um metro da falésia. Por mais vezes que eu ali fosse, a beleza daquele lugar nunca deixava de me surpreender. A fusão da água com as rochas, do verde com o azul, das nuvens com as densas colinas.

            Havia ali mais alguém. Uma presença desconhecida. Saí do carro e aproximei-me do seu vestido branco e dos seus longos cabelos negros como as penas de um corvo. Estava sentada na garganta do desfiladeiro e assim permaneceu. Não se mexeu um único centímetro quando me viu aproximar. Os seus olhos escuros estavam raiados de dor. Da sua pele marmórea emanava um desespero que me arrepiava a espinha. Era encantadora. Uma branca de neve com os seus lábios cor de sangue. Um anjo perdido na Terra.

            [Corina]

            Eu sentia que ainda havia alguma coisa, que me prendia a esta vida maldita. Algo que não me deixava partir. Uma barreira intransponível que se formava naquele precipício colossal.

            Assim que o vi, soube de imediato que ele era a razão. O homem mais belo e encantador que eu alguma vez presenciara. A sua figura excêntrica aquecia-me a alma, acelerava o pulsar do meu sangue. Os seus olhos castanhos pérola denunciavam a sua solidão e pesar. Os seus cabelos pretos moviam o meu desejo. Levantei-me e fui ter com ele. Coloquei o meu dedo indicador sobre os seus lábios, para o silenciar. Não eram precisas palavras. As palavras só estragavam, as palavras eram uma maldição contagiosa. Coloquei a minha mão gelada na sua. A sua pele era tão suave como a de um bebé.

            Conduzi-nos para a erva molhada, que permanecia ali anos após anos sem ser tocada. Pus-me na ponta dos pés e beijei-lhe os lábios carmins. Os lábios mais irresistíveis, que eu acariciara em toda a minha curta existência. O seu beijo era perfeito. A sua língua encontrou a minha e juntas dançaram uma valsa exoticamente proibida. O seu corpo estava colado ao meu. Sentia cada músculo seu mover-se contra a minha pele.

O ser divino que me deu uma razão para eu ter nascido neste mundo cruel, deitou-me cuidadosamente sobre a relva, dando-me pequenas dentadinhas no pescoço, que me davam vontade de gemer de prazer. Fez deslizar as alças do meu vestido, a única peça de roupa que me cobria o corpo. Percorreu lentamente cada parte de mim que ia ficando a descoberto. O seu toque deixava-me extasiada. As minhas costas húmidas junto com a sua língua quente e o piercing metálico deixaram os meus olhos enevoados e turvos de paixão. Rolei o meu corpo nu sobre o seu. As minhas pernas afastadas apertavam agora os seus abdominais firmes. Tirei-lhe a camisola e percorri o seu peito com longos beijos molhados, apossei-me da sua boca com urgência. Por entra movimentos bruscos despi-lhe o resto da roupa que nos separava da plenitude. Rodeei o seu pescoço com os meus braços, colei a minha boca à sua e senti-o penetrar-me. Gritámos os dois em uníssono, como se acabássemos de vender a alma ao Satanás. Atingimos o auge.  Agora eu estava livre.

 

[Bill]

            O meu rosto suado estava envolto naquele molho de fios negros. Nunca tinha vivido nada tão puro e verdadeiro. Eu queria saber o nome daquela criatura mágica e sensível. Aquele anjo branco que nem devia saber o meu nome.

            Ela estava a afastar-se de mim. Podia ver agora o seu corpo esbelto a correr na  direcção do precipício. Queria gritar-lhe para que ficasse comigo, mas as palavras não queriam sair.

            O meu anjo voou pelos ares...

music: Ride it
I feel like...: aish

Written by Rachel às 10:38 pm
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Monday, August 4th, 2008

O meu quinto elemento - 27

 p.s Obrigada a todas. Foram fantásticas. Agradece-vos do fundo do meu coração por me terem ajudado a criar algo de que me orgulho tanto.

         Amor

 

         Como eu amava aquele ser divino. Comparadas com aquele momento, todas as estrelas do céu eram poucas. O Sol era uma mancha insignificante que pairava no ar. O oceano era um simples aglomerado de água salgada. A Lua era um mero satélite natural da Terra. Eu comecei a gritar histericamente. As gaivotas, que antes, sobrevoavam a água calmante, pareciam agora pequenos jactos espaciais. Saltei tão alto que o meu reflexo no oceano se podia confundir com o pôr do Sol.

 

         SIM...SIM...SIM...SIM...SIM... – o meu deus alemão tomou-me nos braços, ergueu-me no ar e beijou-me. Apoderou-se da minha boca lentamente, percorreu cada detalhe dos meus lábios, como se os explorasse pela primeira vez. Era de facto a primeira vez que Bill me beijava. Que me beijava como sua mulher. Como a mulher, com quem queria partilhar o resto da sua vida. Com o carinho, o respeito, a compreensão e o calor, que só se partilha com a pessoa, que queremos que envelheça ao nosso lado. Que passe tanto tempo connosco, que até sabe, o número exacto dos fios de cabelos brancos, que ganhamos por dia.

         Os meus braços rodearam-no com tanta energia, que acabámos por nos desequilibrar e cair na areia. Rebolámos abraçados um ao outro e acabámos dentro da água gelada. A praia estava deserta, à excepção dos nossos dois corpos molhados.

         Nem mesmo o sal que insistia em nos ferir os olhos, ou o frio provocado pelo cair da noite, fez abrandar a intensidade dos nossos beijos. As roupas ensopadas que nos cobriam, teimavam em não querer sair.

         O cenário era perfeito para uma noite de amor inesquecível. A água, antes uma mistura de verde floresta e turquesa, era agora, de um tom azul escuro, com os reflexos prateados do luar. As estrelas dos hemisférios Norte e Sul tinham-se unido numa única e esplendorosa constelação onde se podia ler “Ich liebe dich”.

         As minhas mãos percorriam o seu corpo com urgência. As nossas respirações assemelhavam-se a pequenos furacões, capazes de arremessar toda uma cidade. Finalmente, vi as nossas roupas flutuarem, por entre inúmeras ondas turbulentas

          Senti-o penetrar-me, de uma maneira tão doce e aconchegante, que me fazia quere-lo ainda mais, se é que isso era possível.

         Beijámo-nos longa e loucamente. Sentia-me literalmente nas nuvens, numa nuvem de algodão gigante. Num tapete mágico que me podia levar para o paraíso mais distante, para o mais antigo conto de fadas.

         Tocar nos lábios preciosos do meu Bill era tudo.

Era o céu e a Terra.

Fogo e água.

         Um sorriso, uma lágrima.

         A aurora e o crepúsculo.

         Era a magia negra que me possuía a alma.

         O feitiço que me dominava o coração.

         Que fazia o meu mundo girar.

 

         Amor, se continuarmos aqui durante muito tempo, não vamos viver para contar ao Tom, que tu aceitas-te casar-te com um espanador. – sorriu, passando as mãos pelo cabelo molhado. Aquele sorriso deixava-me completamente doida.

 

         Eu tenho a certeza de que ele já sabia a resposta, quando vocês o foram comprar. – levantei a minha mão direita.

 

         Talvez, meu doce. – pegou-me ao colo e tirou-me da água. Vestimo-nos e fomos para casa.

 

         Casámos passado um mês. Conheci os seus pais. Duas pessoas com quem eu me sentia realmente bem. Tatuámos as nossas alianças, tal como o meu deus alemão sempre sonhara. Foi algo simples, mas maravilhoso. A cerimónia realizou-se no Castelo de Meath, onde o nosso conto de fadas começara.

         Sempre que o Bill tinha concertos, eu acompanhava-o. Dividíamos o resto do tempo entre a nossa casa na Alemanha e a da Irlanda. Bill e Tom continuavam inseparáveis. Tom tornara-se um irmão para mim.

         Por mais dias, anos ou décadas que passassem eu iria amá-lo sempre, como da primeira vez.

 

 

 

 

         ... E viveram felizes para sempre.

 

 

 

 

                            The End

        

I feel like...: Feliz
music: Lifehouse -Everything - You and me

Written by Rachel às 03:32 pm
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Sunday, August 3rd, 2008

O meu quinto elemento - 26

 

 

 

 

      P.s Everything - Lifehouse     

       

 

 

 

            Dias

 

         Os minutos deram lugar ás horas e as horas deram lugar aos dias. Ammy uma rapariga simpática e amigável voltara para o seu país, voltara para os seus amigos, para a sua casa e para as pessoas que verdadeiramente amava

         Georg e Gustav vieram passar uns dias a Dublin. A banda fez as pazes e prometeram que, iriam ser mais compreensivos uns com os outros, daí em diante. As datas dos concertos aproximavam-se. A ideia de ter de me separar do Bill, por um segundo que fosse, deixava-me doente. Como é que eu iria viver sem o seu sorriso caloroso todas as manhãs? Sem o calor do seu abraço nas noites frias de Inverno. Sem as suas palavras sábias de que eu tanto precisava. Sem a sua boca para aconchegar os meus lábios. Sem a sua presença para iluminar os meus dias. A minha vida já não fazia sentido sem ele.

         Eram 17:45 horas. Dentro de 20 minutos o Sol iria dormir. A Lua viria em seu lugar. Tom ainda estava a dormir. Por mais que tentasse, não conseguia perceber como é que uma só pessoa podia dormir tanto tempo.

         Eu e o meu deus alemão estávamos deitados no sofá. Os dois enrolados um no outro. Como era bom estar com o meu príncipe. Só eu e ele. Podia ficar assim para sempre.

 

         Amor, vamos dar um passeio à beira mar? – estranho ele preferia estar sempre em casa, para não ser reconhecido e perseguido pelas multidões. Porque razão quereria agora sair?

 

         Parece-me uma excelente ideia. É nestas alturas que percebo porque é que te amo. – ele pegou no meu rosto com ambas as mãos e beijou-me. Senti um longo arrepio percorrer-me o corpo.

 

         Vá, vamos lá. – disse, travando as minhas mãos que já se queriam apossar do seu corpo. Eu lá desisti das ideias perversas que iam na minha cabeça e pequei nas chaves de casa. Saímos e dirigimo-nos para a praia. Eu ainda sugeri, que fossemos no seu novo carro descapotável. Aquela perfeição de carro. Mas ele insistiu em ir a pé.

 

         Demorámos cerca de 15 minutos a percorrer o trajecto até à praia. A visão do Sol a deitar-se sobre aquela imensidão de água salgada era deslumbrante. Para mim, o  por do Sol na praia era como um santuário. Um local onde eu podia pensar, reflectir e libertar todas as minhas preocupações.

         Estranhamente, hoje, eu sentia um frio esquisito na barriga. Raios partam. Um turbilhão de sentimentos estava a apoderar-se de mim.

 

         Jeane, meu doce. Eu trouxe-te aqui por uma razão especial. Tu sabes que és muito importante para mim.  – estávamos sentados à beira da água. Bill levantou-se e fez sinal para eu fazer o mesmo. A voz dele estava tão diferente do habitual.

 

         Bill, o que é que tu queres? Estás muito estranho. Estás-me a deixar nervosa. Queres acabar comigo?  - rosnei-lhe enquanto me levantava da areia e sacudia as mãos.

 

         De repente, ele fez a última coisa da qual eu estava à espera, ajoelhou-se. Eu paralisei. Vi-o tirar uma caixa toda janota do bolso do seu casaco. Abriu-a na minha direcção. Um anel. Um anel em ouro branco com uma esmeralda reluzente no topo.

 

         Jeane, meu anjo, eu amo-te. Tu és o Sol que ilumina a minha existência. És a única água capaz de matar a minha sede. És a coisa mais bela que alguma vez me aconteceu. És a pessoa pela qual eu era capaz de vendar a alma. És a mulher com quem eu quero passar o resto dos meus dias. Aceitas casar comigo? – o meu deus alemão estava a declarar os versos mais lindos que eu jamais ouvira.

 

 

 

 

 

 

 

 

music: Everything dos Lifehouse

Written by Rachel às 11:13 pm
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O meu quinto elemento - 25

Palavras

 

       [Jeane]

       Será que num momento como este, as palavras seriam suficientes para demonstrar o que realmente sentia? Como é que eu poderia, através de simples e meras palavras, recordar a memória de uma pessoa que tanto significara para mim, que tanto me ajudara e amara?

         Como é que se podia explicar o inexplicável? Como é que se trazia o Sol e as estrelas, a Lua e o mar para um dia cinzento, coberto de nuvens e escuridão?

         Chegara a hora de prestar a última homenagem, à minha falecida amiga. Eu tentara escrever algumas frases num papel, mas era-me impossível. Como é que se podiam transformar memórias e sentimentos tão fortes em pequenas manchas de tinta?

         Sentia o braço do meu deus alemão rodear a minha cintura. Pelo menos, ele estava ali.

 

         Bea morreu no meus braços. Quando senti o seu pequeno coração parar, uma parte de mim morreu com ela. Perfurou-me a alma. Quebrou-me o peito em dois. Eu queria gritar. Queria fugir. Queria desaparecer. Era uma sensação que eu não conseguia controlar, por mais que desejasse.

         Bea era a irmã que eu nunca tinha tido, era a amiga de todos os dias, de todas as circunstâncias, de todas as tristezas, mas de principalmente de todas as alegrias. Uma das pessoas mais importantes da minha vida acabara de que me abandonar, de me deixar para sempre. E o que é que eu podia fazer?

         Nada. Rigorosamente nada. Senti-me uma completa inútil. Tinha os pés e mãos atados. O destino estava a levar a melhor.

         Mas, hoje, aqui e agora posso afirmar que nada acontece por acaso. Tudo tem um sentido, uma lição. Se a minha amiga teve de partir, se isso era o melhor para ela, também será o melhor para mim.

         Ela sempre deu tudo por mim. Os nossos longos passeios à beira mar, descalças, com as sapatilhas nas mãos e as calças arregaçadas ficarão na minha memória para a eternidade. E, tenho a certeza de que, quando chegar a hora, de me lhe juntar nós seremos tão ou mais felizes como fomos em vida.

         Obrigado Bea. Obrigado por me teres dado a conhecer a pessoa maravilhosa que eras e por termos partilhado momentos tão inesquecíveis. – Pequenos cristais de lágrimas flutuavam no meu rosto, enquanto eu falava para todas aquelas pessoas que conheceram e amaram a pessoa grandiosa que fora Bea.

 

         Após recebermos todas as condolências dos presentes, eu, Bill, Tom e Ammy ficámos sozinhos no cemitério, em frente à campa de Bea.

        

         Mana, tu vais continuar a viver no meu coração para todo sempre. Espero que nos encontremos um dia, para eu te poder dizer o quanto te amava. – Ammy chamou Tom baixinho, levando-o para fora do recinto. Deixando-me com o Bill.

 

         Tu sabes que por mais anos que vivas, ela vai continuar a ser sempre a tua irmã, a tua melhor amiga. Ela vai estar sempre lá em cima a olhar por ti. – disse rodeando-me os ombros.

 

         Sim, meu amor, eu sei disso. Ela vai ser a minha estrela polar. Vai-me guiar no caminho mais escuro, na floresta mais densa, no labirinto mais apertado. Amo-te Bea, meu Sol, sempre e para sempre. – depositei  a rosa vermelha que retinha nas minhas mãos, junto da sua foto. Voltei-me para o meu deus alemão. Coloquei um dos meus braços à volta da sua cintura e fomos para casa.

music: Sacred

Written by Rachel às 07:33 pm
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Saturday, August 2nd, 2008

O meu quinto elemento - 24

Escuridão

 

         Sentia-me perdida. Eram demasiadas as sombras que preenchiam a minha vida naquele dia. Tinham-se passado dois dias, desde que, Bea morrera nos meus braços, junto ao meu peito, que tanto gritava por socorro. Como eu desejava sair daqui. Deste cenário deprimente, coberto de remorsos, de culpa, de uma culpa que não era de ninguém, apenas do próprio destino.

         No armazém, depois de alguns minutos da mais dolorosa despedida de toda a minha existência, combinámos os três, que iríamos chamar uma  ambulância e que não falaríamos da tentativa de assassinato de Bea a mais ninguém. Tive de fazer uma coisa, que me doeu quase tanto como a morte da minha best, ligar aos seus pais, para lhes contar o sucedido. Eu nunca gostei deles, mas naquele dia fiquei a odiá-los ainda mais. Eles tinham uma casa no Canadá, no entanto viviam a maior parte do tempo a viajar, em congressos. Eram cientistas. Achavam-se literalmente superiores. Pensavam que por terem um canudo e uma reputação, eram melhores do que os outros. Quando lhes dei a noticia, estavam em Camberra, na capital da Austrália, a dar uma palestra sobre as leis de uma inutilidade qualquer. A mãe ficou um pouco chocada, mas não pareceu realmente afectada, eles eram daqueles que não podiam demonstrar os seus sentimentos. Disseram que lamentavam muito, mas não podiam sair de lá agora. Disseram que não podiam ir ao funeral da própria filha. Garantiram-me que Ammy, a irmã mais nova de Bea, iria assistir à cerimónia e prestar a devida homenagem, em nome de toda a família. Como é que algum ser humano com coração podia fazer uma monstruosidade destas?

         Durante aqueles dois dias, debrucei-me sobre os preparativo para o velório, a compra do caixão e das flores. Eu só consegui suportar tudo aquilo porque tinha o Bill e o Tom ao meu lado. Eles foram mais do que o ombro amigo onde eu chorava, quando já não aguentava mais. Eles pegavam-me ao colo, quando as minhas pernas tremiam tanto, que eu não me consegui manter de pé. Eles ficaram acordados comigo, nas noites que eu não conseguia dormir. Eles faziam-me os meus pratos favoritos, para tentar que eu comesse alguma coisa. Mas, para quê comer? A comida não tinha sabor. Nada tinha sabor. A minha vida parecia plástico prestes a derreter.

Nunca conhecera Ammy. Unicamente, ouvira Bea mencioná-la uma vez ou outra. No entanto, isso estava prestes a mudar. Tocaram à campainha. Tom foi abrir.

 

Bom-dia! – ouvi-se uma voz fina e delicada, acompanhada de alguma nostalgia. – Tom Kaulitz, és mesmo tu?

 

Bem... sim! O próprio. Tu deves ser a Ammy. Muito prazer – cumprimentou-a.

 

Ammy era uma rapariga de estatura mediana, cabelos louros e lisos, olhos esverdeados, um verde azulado semelhante à água do mar. Era elegante e vestia-se bem. Pela sua expressão, aparentava ser afável e divertida. Talvez, demasiado controladora.

 

Queria-me levantar do sofá,  para a ir receber. Mas, as minhas pernas estavam tão fracas, o meu corpo doía-me tanto que não tive forças para tamanho esforço. Via cumprimentar Bill com um largo sorriso. Por fim, chegou a minha vez.

 

Suponho que sejas a Jeane. Lamento muito. Eu sei o quanto ela significava para ti. Eu e ela éramos irmãs, mas vocês as duas deviam gostar muito mais uma da outra.  – dirigiu-se a mim e abraçou-me. Senti as suas lágrimas queimarem-me a pele.

 

Chora meu amor. Faz bem chorar. Deita tudo cá para fora. - Tinha realmente pena dela. Coitada, não devia ter ninguém que a apoiasse num momento destes. Tomei-a nos meus braços e afaguei-lhe o cabelo.

 

Pediu-me que lhe contasse como é que a irmã morrera. Como é que Bea tinha sido em vida. Afirmara que nunca tivera grandes oportunidades de a conhecer, mas que agora também já era tarde para poder remediar as coisas. O tempo não voltava atrás.

Ammy ficou a dormir no sofá. Deitámo-nos cedo, pois o funeral era no dia seguinte.

Para mim foi mais uma noite sem dormir. Bill, como sempre, mantinha-se fiel à sua promessa. Não pregava olho. Limitava-se a abraçar-se. Ficávamos a noite inteira ali deitados, em silêncio. Por vezes, eu adormecia por instantes, mas acordava logo a seguir, a suplicar pela minha amiga que já não me podia ouvir. Nessas alturas, os braços fortes do meu deus alemão envolviam-me com mais força, até que eu me acalmasse novamente.

 

A hora estava-se a aproximar. Nenhum de nós tocou na comida do pequeno almoço. Limitámo-nos a vestirmo-nos em silêncio e a dirigirmo-nos ao cemitério.

 

P.s Bigada por tds os comments de coração. E'm um obigada especial.

music: o Silêncio pode ser uma óptima melodia
I feel like...: vazia

Written by Rachel às 08:34 pm
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O meu quinto elemento - 23

P.s Rescue me  

Silêncio

 

         Um silêncio estranho e desconfortável apoderou-se do armazém. De repente, só consegui ouvir o som das minhas próprias lágrimas, do meu nariz entupido e do meu sofrimento. Bea continuava nos meus braços, mas eu já não a sentia chorar, já não sentia o bater do seu coração.

         Entrei em pânico. Comecei a sacudir-lhe o corpo. Abanei-a uma e outra vez.

 

         BEA. BEA. ACORDA PELO AMOR DE DEUS. BEA REAGE. BEA POR FAVOR, NÃO ME DEIXES. BEA MEU ANJO. FICA COMIGO. BEA, NÃO! POR FAVOR, BEA. NÃO. EU NÃO ACEITO ISTO. POR FAVOR BEST. REAGE.  – eu berrava a plenos pulmões enquanto a abanava, enquanto a tentava trazer para a vida.

 

         Amor, oh não. Mein gotten. Eu ouvi a vossa conversa. Tem calma, meu amor. – Bill tinha começado a subir as escadas assim que me ouvira gritar. Sentara-se por trás de mim e afagava-me o meu braço direito, enquanto eu embalava o corpo sem vida da minha melhor amiga, da minha companheira de tantas noitadas, de tantas bebedeiras, de tanta amizade e amor. Como era possível ter-se um final tão triste? Eu já não conseguia chorar. Não tinha forças. O meu sofrimento não me deixava espaço para as tão famosas lágrimas.

         O meu coração estava em mil pedacinhos. Tinham-me arrancado uma das pessoas mais importantes da minha vida. Tinham-ma tirado sem eu ter tempo de me despedir. Tinham-ma tirado sem me deixarem dizer-lhe o quanto ela era importante para mim, sem eu lhe dizer o quanto a amava. Ela morreu a pensar que eu a odiava.

 

         BEA EU NÃO TE ODEIO, QUERIDA. EU ERA INCAPAZ DE FAZER UMA COISA DESSAS. TU ÉS TÃO IMPORTANTE PARA MIM. TU SIGNIFICAS DEMASIADO. EU PRECISO TANTO DE TI. NÃO ME DEIXES. FICA COMIGO. – não valia a pena. Por mais que eu gritasse, por mais que  agitasse o seu corpo frouxo, ela não me respondia. O seu coração continuava sem bater. Os seus pulmões continuavam sem respirar.

 

         Sentia-me como se me tivessem arrancado uma parte vital do meu corpo. Era tão mortificante saber que nunca mais íamos poder partilhar aquelas gargalhadas histéricas e sem sentido, aqueles passeios à noite, à beira do rio, onde pedíamos os nossos três desejos à Lua cheia. Nada mais seria igual. As longas idas ao cinema, quando comprávamos montes de bolachas e chocolates, e as pessoas ficavam embasbacadas a olhar para nós. As lutas de almofadas pela noite dentro. Os filmes de comédia em que ríamos até nos doer tudo. As longas discussões sobre o homem perfeito. Como eu ia ter saudades!

 

         Senti-a à beira do abismo. Queria saltar. Queria mergulhar naquelas águas profundas e gélidas, para que me purificassem a alma. Queria desaparecer para um lugar longínquo, onde ninguém me podesse ver, onde ninguém estivesse suficientemente perto, para me dizer que eu tinha de continuar a minha vida sem ela. Eu não queria. Para quê continuar?

         Eu olhava as estrelas, pela pequena janela no tecto por cima de nós, e via-as chorar. Choravam as minhas lágrimas. Lágrimas tristes e cristalinas.

         A natureza gritava. As árvores sentiam dificuldades em respirar. Os lobos uivavam de aflição. Partilhávamos a mesma dor, a mesma angústia de um mundo tão cruel.

           


Written by Rachel às 01:04 pm
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