Thursday, July 31st, 2008

O meu quinto elemento - 21

Sozinha

 

Acordei. Estendi o braça para abraçar o meu deus alemão, mas ele já não estava lá. O pânico tomou conta de mim. Só esperava, que ele não se tivesse querido armar em super-homem. Enquanto me vestia rapidamente, vislumbrei um papel colado no frigorifico.

 

Vou só ali à rua comprar pão.

Com amor,

               Bill.

 

Comprar pão?! Anda  por aí uma demente a querer matar-me e ele vai à  rua comprar pão?!  Raios o partam. Olhei para o relógio. Eram 20:00 horas. Faltava exactamente uma hora para o confronto final e eu, ainda não tinha a mínima ideia do que ia fazer, quando chegasse àquele maldito armazém.

O som da porta a abrir-se assemelhou-se-me a um coro de anjos vindos directamente do céu.

 

Mas tu tinhas te ter saído de casa?  Não sabes que ela é perigosa? Não sabes que ela me quer ver morta e magoada? – abracei-o assim que ele pôs um pé dentro do apartamento. Tinha tanto medo de o perder.

 

Desculpa. Pensei que se não tivéssemos fome, seria mais fácil lidarmos com a Bea.- tentou acalmar-me afagando-me o cabelo. – Vá, vamos comer qualquer coisa.

 

No fim de comermos, tomámos um duche rápido, vestimos roupas confortáveis e às 20:45 estávamos a sair de casa. Tínhamos de ir a pé. O meu carro ainda estava na oficina.

 Ainda tínhamos bastante tempo. Do apartamento ao armazém eram 5 a 7 minutos de caminho.

 

Já pensaste no que é que nós vamos fazer quando lá chegarmos? – na voz angélica de Bill podia notar-se um ligeiro tom de aflição.

 

Não faço a mínima ideia. Nunca pensei vir algum dia a passar por uma cena destas. Eu conheço aquele armazém, melhor do que ninguém. Há-de-se arranjar qualquer coisa. - a minha barriga contorcia-se de medo. O terror que não me estava a deixar raciocinar, começava a sentir-se nas minhas pernas. Eu andava tão lenta e pesarosamente, que até um caracol em marcha demorada me superava. Era terrificante pensar que, dentro de alguns minutos, ia ter de fazer, com que a pessoa em quem eu sempre confiara, não me matasse.

 

20 horas e 59 minutos. Estávamos à porta daquele armazém velho e a cair de podre, que me era tão familiar. O portão estava fechado. Sentia o bater descompassado do coração, do meu deus alemão. Soava como um vulcão em ebulição.  O meu ritmo cardíaco também não estava melhor. Parecia que o coração me queria saltar do peito e que por vezes tinha de correr para o apanhar.

 

21:00 em ponto. O portão abriu-se. Quando olhei para dentro do armazém, pensei que estava a enlouquecer ou então a Bea só podia estar a gozar com a minha cara.

Uma festa. Luzes, música, comida. Só faltavam os convidados e esses tinham a acabar de chegar.

Tom encontrava-se sentado numa cadeira, todo amarrado e amordaçado, no meio do armazém. Quando nos viu tentou gritar e fazer gestos, mas tudo o que se ouviu foi o cessar da música. Estava na hora da anfitriã fazer as honras da casa.

 

 

 

 

 

 


Written by Rachel às 08:31 pm
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Wednesday, July 30th, 2008

O meu quinto elemento - 20

P.s Hoje vem ao início xD. Aconselho vivamente ouvirem esta música enquanto leem este capítulo. - The story (Brandi Carlile)

Puky é claro que quero saber se és a melhor amiga da Biscoita :D. E tu não és um desastre querida.

 

 

 

Cabra

 

       Raiva e desespero. Aversão e medo. Angústia e ódio. Dor e cólera. Desilusão e amargura. Não imaginava que se podiam sentir tantas coisas ao mesmo tempo. Como é que ela me podia estar a fazer isto?  Eu confiara nela e ela traíra-me. Eu dera-lhe tudo e ela deixara-me sem nada.

         O Bill continuava inconsciente, deitado sobre o meu colo. Eu estava literalmente cansada de chorar.

         Bea tinha dois objectivos quando escrevera aquela primeira carta. O primeiro era desviar as atenções, queria desculpar-se por se ter descaído demasiado durante o pequeno almoço. O segundo era fazer-me sentir culpada, queria que eu sofresse por uma coisa que não tinha feito, queria que eu me sentisse mal, por pensar que ela me poderia querer ver morta.

         Afinal, estive sempre certa. Só havia uma pessoa no mundo que sabia do armazém. E essa pessoa era Bea. Eu sabia que já tinha visto o homem que deu um tiro no Bill, no hospital. Era um ex-namorado dela. Agora percebo a reacção dela aquando  eu falara em ir à esquadra. Ela sabia que se eu o visse outra vez, eu o reconheceria. Ela não queria ser descoberta então raptara o Tom. Claro, o meu ponto fraco. O irmão do Bill.

 

         Porquê? Porque é que tu tinhas de ter pedido ao teu irmão para ir à policia? Não sabias que estávamos a lidar com uma demente, uma desequilibrada que não tem a mínima noção do anda a fazer? Uma louca que se quer vingar! Mas vingar-se do quê?  - disse por entre as sacudidelas que dava no corpo delgado de Bill. Ele despertou. Os seus olhos encheram-se de lágrimas e chorou.

 

         Eu pensei que ia ajudar se ele fosse à policia. Não fazia ideia que estávamos a lidar com uma maníaco-depressiva. –gemeu. Os seus gemidos assemelhavam-se aos gritos suplicantes de uma mãe, a ver o filho ser torturado e morto lentamente.

 

         É a Bea que me quer matar. – confessei-lhe angustiada. A minha garganta picava de dor. As lágrimas que eu não queria deixar sair, insistiam pesarosamente. Contei-lhe o resto do que sabia.

 

         Mas, como é que pode?  Vocês pareciam ser as melhores amigas. – Bill não queria acreditar. Eu própria ainda não acreditava bem.

 

         Vou ter de ir lá àquela hora. Tenho de a fazer parar. Ela está completamente louca. É melhor tu ficares aqui, em segurança. Ela pode magoar-te e eu não iria suportar isso. – tentei convence-lo. As minhas mãos estavam descontroladas.

 

         Nem penses. Eu vou contigo. É o meu irmão que está lá. E eu nunca te iria deixar sozinha. – silenciou as minhas contestações com um beijo. Um beijo diferente de todos os anteriores. Era mais profundo, mais sentido. Podia ler-se como uma fuga ao que se estava a passar.

Havia uma necessidade patente na maneira como as suas mãos percorriam o meu corpo. Como se ele tivesse medo que aquela fosse a última vez. O último beijo, o último momento de paixão, o último pensamento de amor.

Eu também sentia aquela tensão, aquela ansiedade. Tinha medo de o perder. Tinha medo de perder a minha vida, agora que o encontrara. Se havia a mais pequena possibilidade de eu morrer naquela noite, então eu iria aproveitar, cada segundo, até lá.

O presente era ali, no chão poeirento de uma sala já bastante usada. Eu e o Bill. O Bill e eu. Só nós os dois.

Sem descolar a minha da sua, arredei de uma só vez a pequena mesa que ocupava demasiado espaço ao nosso lado. Queria que aqueles momentos fossem inesquecíveis. Decerto modo, esta parte da minha vida nunca mais iria desaparecer da minha memória.

Bill estava deitado de costas. Coloquei-me por cima dele, pousei os meus joelhos dobrados, de cada um dos lados seu corpo. Tirei-lhe a t-shirt preta que me separava da sua pele. Beijei-lhe o umbigo, acariciei todo o seu peito, mordisquei-lhe o pescoço delicioso. Sem eu ter tempo de respirar, ele rodou sobre mim. Descalçou-me as sandálias. Senti um arrepio na espinha quando me beijou os dedos dos pés, um por um. Tirou-me o vestido vermelho e branco que me cobria o corpo. O meu corpo arqueou-se enquanto as mão do meu deus alemão o percorriam com urgência, tentando descobrir o meu precipício, a sensação que me levaria à perdição, à loucura.

Depois de eu já ter gritado o seu nome vezes sem conta. Depois de os meus olhos já estarem turvos, enevoados e desfocados. Bill apoderou-se da minha boca. Com tal avidez e desejo que não me deixou sequer espaço, ou fôlego para poder respirar.

A minha boca estava possuída pela sua. O meu corpo ansiava por tê-lo dentro de mim.

Aquele beijo era fogo. Um fogo que me incendiou o corpo.

Aquele beijo era água. A água cristalina que me lavou o medo, a frustração, a raiva e a dor.

Aquele beijo era terra. A terra que me mantinha segura e  me dizia que ia correr tudo bem.

Aquele beijo era ar. O ar que me mantinha viva. O ar que não deixava o meus pulmões sufocarem.

Bill era o meu quinto elemento. Fora, era  e sempre seria a minha vida. A razão da minha existência.

Se restava alguma roupa no nosso corpo, foi incendiada pelo calor da nossa paixão.

Senti-o penetrar-me. A valsa que anteriormente os nossos corpos dançavam ao som de violinos, era agora regida por tambores. Os mais ferozes e carinhosos tambores.

 

Amo-te – dissemos em uníssono, antes de adormecermos nos braços um do outro.

 

 

 

 

 

 

 

 

music: The story - Brandi Carlile

Written by Rachel às 07:45 pm
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Tuesday, July 29th, 2008

O meu quinto elemento - 19

        Estúpida

 

 

        Quem quer que fosse que me quisesse matar, tinha razão numa coisa: eu era mesmo estúpida, melhor ainda uma completa idiota. Como fora capaz de desconfiar de Bea? Ela que tanto me apoiara. Ela que sempre me dera a mão nos momentos mais difíceis.

        Eu tinha de a encontrar. O meu perseguidor até agora só me quisera assustar, devia querer que eu estivesse completamente aterrorizada, na hora de me matar. Queria fazer-me sofrer. Queria que eu visse as pessoas que mais amava a sofrer por minha causa. Primeiro o Bill, porque se o objectivo do atirador fosse mesmo a minha morte, ele podia-o ter feito enquanto a policia não chegava. Agora a Bea. O que é que eu podia ter feito assim de tão terrível?

       

        A cara do Bill estava sem cor. Tinha uma expressão de puro horror no rosto. Será que ele também me culpava? Tom estava atónito. Leu o bilhete sem se mexer um único centímetro.

 

        Eu tenho de ir procurar a Bea. Tenho de fazer alguma coisa. O melhor é ir ao nosso apartamento visto que, foi o último sitio onde a vimos. -  queria correr, sair dali, encontrá-la e dar-lhe um abraço forte. Comecei a andar sem saber. A tentar percorrer o caminho que me separava de Bea e da minha morte.

 

        Ao fim de alguns passos, senti uma mão rodear-me a cintura, eu soube imediatamente que era o meu deus alemão. Ele estava ali comigo tal como prometera.

 

        Obrigada  - murmurei eu.

 

        Amo-te – disse dando-me um beijo carinhoso na testa. Não era preciso dizer mais nada pois, ambos sabíamos que "As mais lindas palavras de amor são ditas no silêncio de um olhar." Percorremos juntos o caminho que faltava até casa. Subimos as escadas e vimos a porta semiaberta. Entrámos com cuidado. Estava tudo de pernas para o ar. Parecia que um demente tinha andado a baldear a casa toda. Estava outra folha preta, dobrada, em cima da mesa. Exactamente o mesmo estilo. Preta, corrector e letra da Bea.

 

     Jeane,

     Se estás a ler isto, é sinal que usaste os miolos (afinal não estão assim tão afectados como eu pensava).

     Bem, vou dar-te uma pista: estamos naquele armazém velho e abandonado, onde tu te costumavas esconder dos teus papás.

     Só mais uma coisa. Eu sei tudo. Eu vejo tudo. Não vale a pena tentarem avisar a policia outra vez. Se não ele morre.

     Ah! Só mais uma coisinha. O Joseph sofreu um pequeno ataque cardíaco, hoje, na cadeia, consequentemente morreu. Já viram que coincidência das coincidências! Logo hoje que vocês lá iam vê-lo.

     Bem, apareçam na festa hoje á noite por volta das 21:00 horas. Nem um minuto a mais, nem um minuto a menos. Se não BUUUMMMM. Tudo pelos ares.

 

     Senti o Bill desfalecer nos meus braços e percebi o porquê de o Tom não estar ali connosco.

 

P.s Eu queria dedicar este capítulo à  @ Biscóitah @. Minha querida, eu não sei o que se passa contigo mas quero que saibas que a tua dor é a minha dor. Volta depressa!

 E, também assinalar uma data muito especial. Faz hoje um mês. Für immer Bill.

music: An deiner seite

Written by Rachel às 07:32 pm
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Monday, July 28th, 2008

O meu quinto elemento - 18

Viver

 

                [Jeane]

 

        Eu não podia, nem queria morrer. Não agora, que tinha encontrado uma razão para viver.

Em menos de 5 segundos, levantei-me com toda a firmeza que consegui, agarrei num braço do Bill noutro do Tom e lançámo-nos numa corrida desenfreada pelas nossas vidas.

As minhas pernas não se queriam mexer, o meu coração batia descompassadamente , os meus pulmões suplicavam por oxigénio, o meu cérebro dizia-me que íamos morrer, o meu corpo teimava em querer parar. Aquele carro preto, horrível, que mais parecia uma besta de combate, conduzia a toda a  velocidade, atrás de nós. Passava por cima de passeios para peões sem se importar com as possíveis pessoas que podia atropelar.

        Nós tentámos desviar-nos por pequenas ruas, mas sem sucesso. O condutor conhecia aquela cidade tão bem quanto eu. A cada segundo que passava, estávamos mais afastados do centro da cidade, mais afastados de alguém que nos pudesse ajudar. Percorremos uma rua que eu nem sabia que existia., pensando que era suficientemente estreita , para um automóvel não conseguir passar.

        Merda! Um beco sem saída, rodeado por casas e prédios que pareciam ter sido abandonados no tempo dos dinossauros. Fabuloso. O Sol estava no seu auge. Eu ia morrer, portanto tinha de dizer ao Bill o quanto ele significava para mim.

 

        Bill, eu quero que saibas, que tu foste a melhor coisa que aconteceu em toda a minha existência. Amo-te para a eternidade. Sem ti, eu tinha morrido sem saber o verdadeiro significado da palavra viver. Tom, tu és uma pessoa muito especial, fico muito feliz por seres irmão do Bill e por te ter conhecido. Cuida bem dele. – solucei por entre as lágrimas, que me queimavam a pele.

 

        O carro estava cada vez mais próximo de nós. Bill agarrou-me pelos ombros e fez-me olhar directamente nos seus olhos. – Tu não vais morrer. Eu estou aqui. Eu faço qualquer coisa por ti. Eu morria por ti. Amo-te Jeane, para todo o sempre.

 

        O Bill tem razão. Nada de mal te vai acontecer. Nós não deixamos. A propósito também estou a gostar de te conhecer, acho que és a pessoa ideal para o meu maninho. Como o meu irmão não vive sem ti, eu não te posso deixar morrer. – Tom fez um sorriso que inspirava confiança. Dentro de dois segundos, se o carro não abrandasse, nós ficaríamos esborrachados contra uma parede velha, coberta de grafitis. De repente, estacou completamente com uma travagem brusca, a menos de dois metros de nós. O vidro do condutor abriu-se. Uma folha preta foi atirada pela janela e deixada, simplesmente, cair no chão. O vidro fechou-se. O carro desapareceu de marcha atrás.

       

        Eu tinha paralisado por completo. As minhas pernas e as minhas mãos tremiam. Todo o meu corpo tremia. Sem saber bem como, eu corri para aquele pedaço de papel. Algo de muito errado ali se passava. As coisas não batiam certo. A pessoa que me queria matar, acabara de ter a sua oportunidade e desperdiçara. Porquê?

         Bill e Tom seguiram-me mas, ainda com receio de o meu atacante se arrepender e voltar atrás para acabar o serviço.

        O cheiro a pneus queimados ainda ali estava. Eu peguei na folha. Era inteiramente preta, à excepção  de umas quantas frases, que ali estavam escritas a corrector. Reconheci a letra de imediato. Fora Bea quem escrevera aquele bilhete.

 

                        Jeane,

    

Querida há quanto tempo! Certamente, já sabes quem escreveu esta pequena carta . Pois foi. Foi a tua doce amiga Bea. Eu obriguei-a. Queres saber como? Ou ela escrevia, ou eu cortava-lhe aquela linda garganta.

Mas, não nos prolonguemos.

Os teus pais tinham mesmo razão, sabes? Tu és mesmo uma garota estúpida, só consegues pensar em ti própria. É incrível.

     Sim, eu sei o que tu pensaste. Sim, também sei que a Bea andava estranha. No entanto, acredita que ela tinha motivos para isso. Ela recebeu diversas ameaças. Para ti, para ela, para ela, para ti, enfim. Ah, claro se ela abrisse a boca, morria. Deixa lá, todos sempre souberam que ela era mais inteligente do que tu. Conclusão: tu és mesmo ingrata.

     Neste momento, a questão é: onde está ela? Será que está viva?

 

 

P.s Gostaram?

music: Rescue me

Written by Rachel às 08:40 pm
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Sunday, July 27th, 2008

O meu quinto elemento - 17

Café com leite

 

[Jeane]

Que saudades que eu sentia desta bebida milenar, que só a Bea sabia fazer da maneira que eu gostava. Eu adorava deitar-me á noite no sofá com a minha best agarrada a mim. As duas a ver um filme de terror com um cobertor enorme e peludo a cobrir-nos o corpo, e uma enorme chávena de leite aquecer-nos as mãos. Mas, já há muito que não o fazíamos. Desde a minha ruptura com o Richard, que muita coisa tinha mudado entre nós. Foram-se desencadeando uma série de acontecimentos, sobre os quais nós não tínhamos controlo, e a partir daí a nossa amizade nunca mais foi a mesma. Apesar de tudo, eu não tenho dúvidas de que, Bea é a única pessoa do sexo feminino, a quem eu alguma vez confiaria a minha vida.

 

Amor, temos de ir hoje á esquadra prestar depoimento. Não achas? – perguntou-me o meu deus alemão, com aquele sorriso que era capaz de derreter toda a Antárctida.

 

Hmm... Pois é! Quero descartar esta cena da minha vida o mais rápido possível. Espero bem que não nos tome muito tempo. Que tal irmos lá a seguir ao pequeno almoço? – sugeri.

 

Estão a falar do quê? – inquiriu Bea com um ar exageradamente   preocupado. Não sei porquê mas não gostei daquilo. Senti um Dejá vu, mas não em relação a quê.

 

Eu contei-te do acidente e do tiro. O chefe da policia ligou a pedir que fossemos depor. – disse sem grande expressão.

 

Mas o que é que tu sabes? Que vais dizer? – tropeçou nas palavras. Não estava a gostar daquilo, não a gostar mesmo nada daquilo.

 

Eu lembro-me do homem mas, não sei de onde. Vou dizer apenas isso. E, também que não me lembro de nenhum motivo para me quererem matar. Vocês vem connosco? – dirigi-me a Bea, e a Tom, que estava tão calado.

 

Sim, posso ir. – afirmou Tom sem entusiasmo.

 

Eu não vou poder. Tenho de ir tratar de uns assuntos ao banco e essas coisas. Desculpa.. – curiosamente, eu não senti qualquer espécie de culpa na voz de Bea. O que me pareceu ouvir, foi alívio.

 

Acabámos de nos vestir, arrumámos a mesa e saímos. Bea ainda tinha ficado a tomar banho. Íamos a percorrer a pé, o caminho que era relativamente curto até à esquadra. As ruas estavam barulhentas e entupidas pela multidão.

 

Então e sugestões para o almoço alguém tem? – Tom já estava mais animado. Parecia que tinha estado sobre um feitiço, durante toda a manhã, e que agora, a princesa encontrara o sapo e beijara-o finalmente.

 

Eu conheço um restaurante chinês óptimo. Se estiverem de acordo podemos ir lá. – sorri.

 

Se, o amor da minha vida diz que o restaurante é óptimo, os seus donos acabaram de ganhar mais um cliente. – Bill depositou um daqueles beijos longos, quentes, deliciosos e perfeitos na minha boca

 

Dois. – contrapôs Tom com uma gargalhada.

 

Tom diz-me uma coisa. O que é que se passou hoje de manhã? Porque é que estavas tão angustiado ?  - perguntei abstraída de tudo o resto. Só estava concentrada na sua resposta, que não chegava. A sua cara ficou tensa. De tensa passou a um “Sai daí!”. Só me dei conta do que se tinha passado quando o Bill, quase me pôs a voar. Ele tirou-me da estrada com um puxão tão violento e rápido, que eu tive a sensação de os meus pés não estarem a tocar no chão. Alguém tinha tentado atropelar-me.

 

Estás bem? – eu ainda estava zonza quando o aquela voz doce, mas carregada de aflição se dirigiu a mim.

 

Acho que sim. O que é que foi aquilo? – sentia-me a desfalecer. O meu corpo estava nos braços do Bill, que se ajoelhara no chão para me poder segurar.

 

                Eu tenho a sensação que foi uma tentativa nítida de assassinato. Até bem nítida de mais. E eu acho que se não queremos que essa tentativa se torne numa realidade, é melhor começarmos a correr, porque quem quer que seja, que te esteja a tentar matar, Jeane, ainda não desistiu. – Tom apontava para um carro preto, de vidros escuros que conduzia a toda a velocidade na nossa direcção.

 

P.s Se comentarem muito pode ser que eu poste mais :P


Written by Rachel às 11:32 pm
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Saturday, July 26th, 2008

O meu quinto elemento - 16

Quarto

 

Bea e Tom estavam a dirigir-se para o seu novo quarto conjunto. Cada um deles transportava a sua bagagem. Percorreram o caminho em silêncio, mas se pudessem ouvir os pensamentos um do outro, ficariam chocados, ou melhor, aterrados por serem tão parecidos.

 

[Tom]

Mesmo que ela quisesse, nunca iria conseguir resistir a um gajo tão bom como eu. Eu tenho tudo o que ela sempre quis. De certeza, que nunca viu ninguém tão apetitoso como a minha excelente pessoa. O meu corpo, ahhh, até eu fico pasmado quando vejo um corpo tão musculado, as minhas roupas sexys, as minhas rastas que as deixam loucas. O meu pirilau deve ser o maior que ela, alguma vez vai ver. Não é amiguinho aí de baixo? Hoje vais fazer boa figura, não vais? Vais te portar bem, e vais ser um menino lindo! Não vais deixar aqui o Tom, o devorador, ficar mal, pois não? Vais obedecer ao papá.

Vou gostar de a ver implorar, para que eu a beije, para que eu a deixe ser minha.

 

[Bea]

Eu espero mesmo que aquele cabelo não tenha pulgas e que não cheire muito a podre. Apesar de tudo isso, tenho um medo ainda maior. E se aquelas roupas gigantes forem para disfarçar o pirilau minúsculo? Pronto, eu sei que ele vai fazer de tudo para me levar para a cama. Mas, até o percebo, se eu tivesse no lugar dele fazia o mesmo. Uma coisa assim tão boa como eu, não se vê na rua todos os dias. Mas, ele vai ter de sofrer primeiro, vai ter implorar. Sim, sim, eu ia gostar muito de o ver ajoelhar-se e pedir, pedir muito para que eu fosse dele.

 

As senhoras primeiro. – disse Bea num tom provocador, fazendo sinal a Tom para que entrasse.

 

Eu já te mostro quem é  que é a senhora. No final, é que vamos ver quem é que veste as calças. – pensou Tom para consigo, ignorando o comentário.

 

A porta fechou-se.

 

Como é que vamos dividir o armário da roupa? – perguntou Tom como se essa questão fosse crucial para descobrir o caminho marítimo para a Índia (caso ele ainda não tivesse sido descoberto).

 

Isso é uma boa pergunta. Anda cá. Vamos tentar repartir o espaço.  – dirigia-me para o guarda-roupa, enquanto fazia sinal com a mão para que ele me acompanhasse.

 

Isso querias tu! Eu sei bem, o que as pessoas como tu fazem. – á medida que ia falando, ia avançando mais um passo, estava cada vez mais próximo de Bea. – Primeiro só querem conversar, depois pedem o número de telemóvel, segue-se uma jantar em tua casa e no final quando vamos a ver já andamos na pedofília.

 

Estavam tão próximos, que já podiam sentir a respiração um do outro.

 

Bea: Andas a ver muitos filmes, impróprios para a tua idade, querido.

 

A atracção que estavam a sentir dominou-os por completo. Olharam-se fixamente no olhos durante um minuto. Num ápice, atiraram-se na direcção um do outro, mas com uma força tão brutal, que nem viram param onde iam e bateram os dois com as cabeças uma na outra.

 

Seu javardo. Seu brutamontes. Que pensas que estás a fazer? Eu a pensar que o cheiro a esgoto vinha do teu cabelo, mas não, afinal vem da tua boca. - gritou Bea um pouco alto de mais. Então, Tom com medo que alguém viesse ali ver o que se passava, cobriu-lhe a boca, num beijo duradouro, que depois de alguma luta e alguns arranhões, foi correspondido. Tornou-se um beijo de perder o fôlego, aqueles dois até competiam, a ver quem se aguentava mais tempo sem oxigénio. Pois seria certamente impossível, respirar no meio daquela confusão. Um emaranhado de lábios fogosos, de duas línguas prontas para entrar em ebulição, dois pares de braços e mãos que lutavam com as roupas que insistiam em se colar ao corpo e duas dentaduras de cavalo, que mais pareciam querer arrancar uns pedaços de carne para o jantar.

 

Olha já que estamos aqui, tu vais demorar muito tempo a despir-me e a atirar-me para aquela maldita cama, ou não? – rosnou Bea.

 

A resposta à sua pergunta foi imediata. Tom pegou-a ao colo e deitou-a sobre a cama. Tirou-lhe a camisa e  baixou a cabeça para lhe beijar o pescoço. Puxou-a para si e rodaram sobre a cama, para que ele lhe pudesse desapertar o soutien.

Mas, a coisa não estava fácil, nada fácil “Merda pah! Raios partam o raio do soutien que agora também não quer sair. Anda lá. Ela deve ter uma mamas muitas boas, para esta porcaria parecer estar fechada a cadeado!”

 

Mas será possível na puta da vida, que tu nem a merda dum soutien és capaz de tirar? Mas tu és assim tão inútil? Eu vi logo que era só fama. Jeitinho que é bom nem vê-lo. – disse Bea desapertando o fecho do soutien.

 

Tom sentia-se muito desconfortável com a situação. O melhor era acabar rapidamente com aquilo. Depositou-lhe um beijo na boca quente e deliciosa, enquanto tirou as calças, os boxers, agarrou no preservativo e estava a começar a colocá-lo, quando ouviu uma gargalhada. Mas, não era uma gargalhada qualquer. Aquele som provocou-lhe um arrepio pela espinha acima.

 

Desculpa lá dizer isto, mas o sexbomb dos Tokio hotel  tem um pirilau desse tamanho? É por isso que tu és conhecido? Por acaso existem preservativos à venda desse tamanho ou é preciso encomendares à medida? – Bea ria desalmadamente.

 

A partir do momento em que aqueles comentários foram feitos, Tom desistira e começara a vestir-se. Nunca tinha sido tão humilhado, tão menosprezado, tão gozado em toda a sua vida. Sentia-se como se um buraco negro tivesse sugado toda a sua virilidade.

 

...

 

Aquele som horrível parara. No entanto, Tom não tinha coragem para se vir para trás e enfrentar a única mulher que alguma vez se rira dele.

 

Então gatinho, estás-me a desiludir sabes? Pensei que tivesses mais confiança em ti próprio, mais garra, mais vontade de lutar. Pelos vistos enganei-me. – Bea saltara da cama completamente nua e contornara-a até chegar ao ponto onde Tom estava sentado, com cara de amuado. Agora, Bea estava sentada ao seu colo com os braços a rodearem-lhe o pescoço e com os lábios encostados ao seu ouvido esquerdo.

 

Bebé – começou por dizer. – Eu estava a brincar. Tudo o que disse é mentira. Só queria ver como te comportavas. E tenho boas noticias para ti, passaste no teste. Não te comportaste como um macho durão e estúpido, soubeste ser condescendente.

 

Bea parou de falar e empurrou-o carinhosamente contra os lençóis.  Começou por lhe beijar o peito nu, percorreu-lhe o pescoço por entre inúmeros pequenos beijos e por fim, alcançou-lhe a boca. Preencheu o vazio que se encontrava entre os dois com um beijo. Um beijo que até surpreendeu o próprio Tom. Algo inimaginável, em primeiro mordiscou-lhe o lábio inferior, contornou completamente a boca de Tom com a língua e depois apossou-se de todo o resto, com uma energia, uma vontade, um poder que fazia inveja à própria Vénus.

 

E já agora, adoro o teu cabelo! – sussurrou tão baixo que não teve a certeza se Tom ouviu.

 

Ajudou-o a colocar o preservativo e depois juntos, uniram-se num só. Mantiveram-se unidos e abraçados durante algum tempo, até que adormeceram simplesmente nos braços um do outro.

 

P.s Espero que se divirtam tanto a ler isto, como eu me diverti a escrever.


Written by Rachel às 12:36 pm
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Friday, July 25th, 2008

O meu quinto elemento - 15

Bea

 

Eu não estava a acreditar no que via. A minha best estava a entrar pela porta do nosso apartamento, carregada com malas e sacos de compras. Mas, ela tinha acabado de ligar cá para casa. Como é que podia ser? Eu devia estar com problemas de visão. Mais propriamente alucinações.

 

Amor, aquela é a Bea? – perguntou-me Bill com uma certa confusão na voz, enquanto Tom estava a olhar com cara de parvo para a minha amiga.

 

É! – saltei da cama e corri na sua direcção, envolvendo-a num abraço de urso. – Gaja, eu não tinha reparado que sentia tantas saudades tuas! Tens de me contar tudo! E podes começar por explicar, porque é que acabaste de ligar para cá, se estavas a chegar.

 

Explico-te isso, quando eu conseguir compreender, a razão de tu não me teres atendido o telefone. E o porquê de estarem dois tipos, que eu tenho a sensação de já ter visto nalgum lado, no quarto do nosso apartamento, a olharem para nós de uma maneira um tanto ou quanto estranha. Aquele, com roupas que mais parecem sacos de batata, e com um cabelo, que não deve ver água há já algum tempo, parece  que me quer despir já aqui e comer-me toda. O outro com  um cabelo de mulher está depreciativamente a  olhar para mim com cara de “ tu só podes ser má, roubaste-me  o meu brinquedo novo”. – Bea despejou aquilo tudo com a maior naturalidade do mundo. Arrependi-me, muito sinceramente, de não lhe dizer mais vezes para ela enfiar a sua sinceridade, naquele sítio Bonito.

 

Depois de uns segundos, para me conseguir controlar e não bater na minha querida amiga que acabara de chegar, conduzi-nos para junto dos gémeos que continuavam a olhar-nos fixamente. Era realmente bom estar rodeada pelas 3 pessoas mais importantes da minha vida. Comparava-se ao sentimento de receber um tesouro, um baú gigante, mas ao invés de conter jóias, moedas de ouro e castiçais, este continha boas recordações, amor, amizade, felicidade, sorrisos, gargalhadas, momentos inesquecíveis e tudo de bom que ainda estivesse para vir.

 

Bea este é o Bill Kaulitz. Bill é  a Bea. Bea é o Tom, irmão gémeo do Bill. Tom é a Bea.  – Bea ficou meio engasgada quando percebeu quem eles eram, de facto.

 

Então tu estás-me a dizer que andas  a dormir com o vocalista dos Tokio Hotel e que o guitarrista está desejoso de também o fazer comigo? – berrou Bea, meio histérica assim que juntou as peças do puzzle.

 

Bem Jeane, tu tinhas-nos dito que a tua amiga era inteligente. Mas, eu nunca pensei que ela percebesse as cenas tão rapidamente. – concluiu Tom, sem nunca tirar os olhos de cima de Bea. Digamos que a sua expressão era um misto de admiração e desafio.

 

Bea continuava um pouco perturbada. O seu cérebro estava a trabalhar a todo o vapor. – Então mas esperem lá. Se não me engano este apartamento só tem dois quartos. Suponho que um seria para ti e para o Bill e o outro seria para o Tom, visto eu estar ausente.

 

Pois. Temos de resolver essa questão. Eu não estava à espera que voltasses tão cedo. – disse eu um pouco constrangida.

 

Oh! Deixem estar. Não é preciso se incomodarem por nossa causa. Nós podemos perfeitamente ir para um hotel. – Bill tentou arranjar uma solução. O pobrezinho estava tão calado, que me tinha esquecido dele.

 

Eu não me importava nada de dividir o quarto com a nossa violinista. Até podia aprender umas técnicas novas. – disse Tom tão baixinho, que acho que só  o Bill é que o percebeu visto que, soltou uma gargalhada seguido de um ”Só tu!”

 

Eu: O quê Tom??

 

Nada. Nada. - Tentou desculpar-se.

 

Adiante. É claro que vocês ficam. Não é Bea? – fulminei-a com o olhos. Se ela dissesse que não, tinha uma inimiga para o resto dos seus dias contados.

 

Silêncio.

 

Não é Bea?? – repeti eu .

 

Sim, claro. O quarto é bastante grande cabemos lá os dois. Só estava a pensar se o Tom ressonaria muito alto. – sorriu para as rastas do seu novo colega de quarto. – O teu cabelo não tem ratos, pois não?

 

Podemos ir confirmar isso imediatamente. – a sua língua brincava de forma matreira e sedutora com o piercing que se encontrava no canto da sua boca.

 

Eu dirige-me para perto do meu Deus alemão e sussurrei-lhe ao ouvido:

- Acho que está na hora de irmos comprar comida. Aposto contigo que quando eles acordarem, vão estar cheios de fome.

 

P.S. Quero agradecer ás seguintes, por lerem diariamente a minha Fic e  pelos maravilhosos comments:

 

-         @ Biscóitah @

-         Dora

-         Blondy

-         daniundbill

-         Gaby

-         Funny Girl x

-         Diamond

-         Nany

-         Dark Angel

-         E'M

-         protagonistas

-         rita_e_joana

-         ~ Súúú *

-         EmoLoveBill

-         Victor

-         e desculpem se me esqueci de alguém

 

Eu não vou puder comentar as vossas Fic’s até ao final do mês devido ao tráfego. Tipo eu exagerei bastante este mês a ver vídeos do Bill e agora pronto, merda. LOL. Prometo que depois vos compenso. Juro. küss

I feel like...: alone at home

Written by Rachel às 05:35 pm
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O meu quinto elemento - 14

Cama

 

Como era bom ter companhia, alguém que me desse um beijo de boa noite, que aquecesse o seu corpo ao meu, que me sorrisse e apoiasse nos momentos maus e que principalmente comemorasse comigo os momentos bons. Ainda me custava acreditar que aquilo tinha acontecido. Era impossível sonhar com algo mais perfeito e doce, mais suave e quente, mais delicioso e viciante. Se neste momento, o meu Deus alemão não estivesse deitado ao meu lado, a dormir que nem um perdido, eu teria dito que tudo não tinha passado de um sonho. O sonho mais excêntrico e belo que alguém pode ter.

Os meus pensamentos foram interrompidos por um leve roçar de lábios nos meus ombros. Aqueles lábios deixavam-me louca, ou melhor dizendo, possuída era a palavra certa.

 

Olá amor da minha existência. Acordaste há muito?  - perguntou aquela voz que fazia o meu mundo girar.

 

Não, meu doce. Mas, ao suficiente para ter algum apetite. – afirmei carinhosamente pronta para sair da cama e partir em busca de comida.

 

Óptimo. Eu também estou morto de fome. – agarrou-me pela cintura e fez-me deitar de costas na nossa cama, quando eu ia para me levantar. – Eu tenho fome mas é de ti, querida. Sabias que és o alimento mais apetecível de todo o mundo?

 

Não fazia ideia. Tens a certeza de que não me estás a confundir com alguma gaja alemã, loura, de 1.80 m de altura e com mamas parecidas com 2 balões gigantes? – fiz  ar de desentendida.

 

Nunca. Jamais. Em tempo algum. – senti o seu corpo sobre o meu, a sua boca na minha e o meu coração nas suas mãos. Acho que por mais anos que vivesse, nunca deixaria de me surpreender com aqueles beijos. Os seus lábios provavelmente tinham sido encomendados de outra galáxia. Sim, decerto isso seria o mais provável.

Mas primeiro eu teria de aceitar o facto de estar na minha cama, ou melhor, a minha cama e a do meu Deus alemão, a ser beijada por Bill Kaulitz, o desejado. Aquele ser magnificente, que era cobiçado por uma grande parte da população mundial feminina. Era perfeitamente natural.

 

Triiiiiiiiiiiimmmmmmmmmm...

Triiiiiiiiiiiiimmmmmmmmmmm... – haviam certas ocasiões, em que a tecnologia se tornava a coisa mais pegajosa e irritante que existia.

 

É melhor atenderes pode ser importante. – disse, parando o nosso beijo.

 

Tu estás com tanta vontade que eu saia daqui como eu estou para ir atender. Se for importante deixam mensagem. Não tenho vontade de falar com mais ninguém além de ti. – não queria deixar a segurança e o conforto daqueles braços amistosos por uma chamada sem importância.

 

Ouvimos um bip, seguido de uma voz dura que já devia ter passado por experiências bastante mortificantes na vida:

 

 - Mrs. Jeane, daqui fala o chefe White da esquadra de Dublin. Ficaria-lhe muito agradecido, se a menina tivesse a amabilidade de aqui passar, para que pudéssemos proceder à elaboração do seu depoimento. Tentei contactar Mr. Bill Kaulitz, mas sem sucesso, infelizmente. Se tivesse a possibilidade de o avisar, seria extremamente útil. Os meus sinceros cumprimentos e o resto de um bom dia.

 

Já me tinha esquecido de que ainda tínhamos este assunto pendente. O problema é que... – não me foi possível terminar a frase visto que o ruído da porta a fechar-se, abafou por completo o som da minha voz.

 

Ora viva! Então, interrompi alguma coisa? – perguntou Tom com um sorriso malandro no olhar. Tinha duas malas, uma em cada mão. – Bill tu tens mesmo de começar a economizar na quantidade de roupas que levas quando viajas. Eu vi-me lixado para trazer esta tralha toda.

 

Trimmm....

Trimmmmmmmm  - mais uma vez aquele maldito telefone. Mas será que hoje era o dia mundial do Telefonem à Jeane?

 

Deixem-no tocar! – ordenei sem expressão.

 

Besstttttttttttttttttttttt... Do género! Coiso. Ahhhhhh... Nem te passa! Adivinha??? Vá lá... Tenta! Consegui. Bea Anders Crist acaba de receber  um convite oficial, para tocar num concerto especial, que a Orquestra sinfónica de Londres vai realizar ao vivo, dia 7 de Junho. E diz lá, quem vai comigo, quem é? Tu! Não é um máximo? Liga-me, não tenho tido noticias tuas. Adoro-te. – a voz histérica de Bea  fez-se ouvir por toda a sala. Não havia dúvidas. Ela estava radiante e não era para menos. Finalmente tinha conseguido alcançar o seu sonho.

 

A tua amiga é boa Jeane? Sabes, sinto-me oficialmente convidado para esse espectáculo. Já agora ela toca o quê? – Tom era demais. Mal Bea tinha desligado, saiu-se com aquela.

 

O que o Tom está a tentar dizer é : Bea é uma boa amiga, boa pessoa, simpática? Jeane, será que também posso ir a esse  espectáculo? Ela deve tocar realmente bem. Qual é o instrumento? – corrigiu-o Bill num tom de desaprovação .

 

Oh! Deixa lá, amor. O teu querido irmão já não tem conserto. Então, a Bea é uma das melhores pessoas que eu conheço. É claro que tem muitos defeitos, mas ela consegue ser a pessoa mais generosa, mais simpática, mais afável, mais bonita e mais inteligente do mundo. Tom, meu doce, é claro que estás convidado. E tu também amor da minha. Gostaria muito que nos acompanhassem, e falo também em nome de Bea, porque eu sei, que desde o momento em que ela vos puser a vista em cima, nunca mais vos vai largar.   – disse olhando o meu Deus alemão nos olhos. – E Bea é a melhor violinista que eu conheço. De facto, também não conheço muitas, mas considerando a vossa presença no meu apartamento e na minha vida, posso dizer que tenho muitos bons gostos a níveis musicais e não só.

P.s Obrigada por todos os comments. Não imaginam o quanto ele me fazem bem. Este capítulo é dedicado a duas pessoas muito especiais na minha vida e elas sabem quem são. Bigada por me fazerem tão bem. D&R&D für immer!

 

 

 

 

 

 


Written by Rachel às 12:36 am
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Thursday, July 24th, 2008

O meu quinto elemento - 13

Casa

 

No fim de quase termos andado á pancada com os médicos, e de lhes prometermos que nos íamos portar bem, conseguimos escapulir-nos para o meu pequeno apartamento. Aquele iria  ser o meu lar e o dos gémeos nos próximos dias.

Era composto por dois quartos: o meu e o de hospedes (ou melhor o quarto de Bea, mas como ela nunca cá estava, apelidava-o de quarto de hospedes), uma pequena cozinha, uma casa de banho e uma sala. O meu quarto ficava para mim e para o Bill, o de Bea ficava para o Tom.

            Eu ainda não acreditava que aqueles dois juntos pudessem ser tão brincalhões. Estavam constantemente a gozar um com o outro, ou com a restante população, o que era ainda mais preocupante... Ou eram as rastas do Tom, ou as roupas justas do Bill, ou a senhora que ia na rua que tinha  cara de esfregona, ou era eu que tinha os olhos demasiado bicudos.

 

            Bill, e daquela vez em que tu bebeste tanto, mas tanto que foste a gatinhar daquele bar piroso, até casa. Depois quando chegámos a mãe estava à nossa espera e deu-te com o rolo da massa por estares tão bêbado. Eu mijei-me a rir com aquela cena. – Tom sentava-se no sofá da sala, enquanto abria uma lata de cerveja e compunha o seu boné.  O Bill olhava-o perplexo, certamente sentia-se constrangido por eu estar a conspirar contra ele também.

           

            Oh! Que pena não ter lá estado. Assim podia dar-te com a vassoura. -  Senti-o ficar com o ego magoado, então depositei-lhe um beijo quente na boca. Ele correspondeu mais animado do que o que eu estava á espera, senti as suas mãos carinhosas e protectoras rodearem a minha cintura e o meu corpo ficar completamente encostado ao frigorifico.

 

            Bem, eu sinto-me rejeitado. Estou literalmente aqui a mais, portanto vou retirar-me. A minha pessoa vai dirigir-se ao hotel para trazer para aqui as malas. Também posso trazer as tuas Bill. Dá-me a morada da casa que alugaste. – Tom já estava de pé pronto para sair.

 

            Deixa-te estar à vontade. Acabámos de chegar! Não é preciso ires... Pois não Bill?  - disse constrangida com a situação.

 

            Jeane amor, aposto contigo em como, neste momento, o maior desejo do meu querido irmão é ir buscar as nossas bagagens. Não é Tom? – afirmou, entregando um pequeno papel com a morada da casa a Tom.

 

            Dito isto, ouvimos a porta fechar-se atrás de nós. O meu olhar encontrou o do Bill. Os seus olhos brilhantes perscrutaram o meu corpo dos pés à cabeça, e a partir desse momento, eu soube que ele era a verdadeira razão da minha existência.

 

            Como te sentes?-  sussurrou-me ao ouvido, com os seus lábios a mordiscarem a minha orelha direita.

 

            Aterrorizada. – respondi com os meus braços a envolverem-lhe o pescoço e a minha respiração na sua boca.

 

Aterrorizada é bom. – disse começando a beijar-me o pescoço. Cada beijo assemelhava-se a uma pétala de rosa vermelha, leve, suave e irresistível. Desabotoou-me apenas um botão da minha camisa e beijou-me a porção de pele que ficara descoberta. Sem me dar tempo para pensar, em como aquilo era realmente bom, apossou-se da minha boca. Ávida de desejo, a minha língua encontrou a sua. Dançaram juntas uma valsa ritmada, ao som do mais fino conjunto de violinos. As minhas mãos encontraram a sua t-shirt e num único gesto, o seu peito ficou nu. Rodeei-lhe a cintura num abraço apertado e conduzi-nos para a nossa cama, sem nunca abrandar a pressão. As nossas bocas continuavam coladas quando nos ajoelhámos em cima da cama. Os botões que faltavam voaram por cima das nossas cabeças, junto com o tecido branco e escanzelado que formava, aquilo que anteriormente representava a minha camisa favorita. Senti o sabor delicioso da água salgada enquanto percorria o seu peito com os meus lábios. Ergui a cabeça quando percebi que ele me olhava com atenção.

 

Tens a certeza de que queres fazê-lo? – perguntou-me com aquela voz divina e afável que só podia pertencer a um Deus.

 

Não sei se tu percebeste, mas eu já sou tua desde o momento em que aqueles bem-ditos livros caíram no meio do chão e  me fizeram olhar para ti, meu amor. – ofeguei , por entre os inúmeros  beijos que lhe depositava nos lábios sedentos de paixão.

 

Quando eu terminei de pronunciar aquelas palavras, ele segurou-me o rosto por entre os dedos, fixou-o durante uns segundos e afirmou:

 

Amo-te. – uma lágrima em forma de pérola deslizou pela minha face e naquele momento eu soube que acontecesse o que acontecesse, o nosso amor prevaleceria.  Bill Kaulitz arrematara-me por completo.

O beijo que cobriu a minha boca, que tornou mudas as palavras que eu ambicionava dizer-lhe, superou todo e qualquer um que eu jamais vira naqueles filmes janotas. Aqueles em que o Romeu beijava a Julieta e meio mundo ficava de boca aberta, à espera de que um dia algo semelhante lhes batesse à porta. Para mim essa porta, acabara de se abrir, mas com mais intensidade, mais furor, mais desejo, mais prazer, mais sabor, mais vida e principalmente mais amor.

Com todo o cuidado, deitara-me sobre a cama, enquanto acabava de me tirar a roupa,  Percorria agora, cada centímetro do meu corpo como um peregrino no deserto procura matar a sua sede, como um toxicodependente procura a sua droga, como a morte procura a vida.

O meu cérebro estava a entrar em combustão. Queria arrancar o peito, a alma tal era a ânsia e o ardor que sentia. Os nossos corpos rodaram um sobre  o outro, até que eu fiquei por cima dele. “Tem de ser agora. Não aguento mais” pensei. Se alguma peça de roupa ainda o cobria há instantes, certamente que já não o fazia mais. Voltámos a rebolar. Sem tirar os olhos dos meus e ainda com os nossos lábios colados, O meu Deus alemão penetrou-me. A partir deste instante, já podíamos afirmar que éramos um só, tanto física como espiritualmente. Mantivemo-nos unidos e em movimentos irreflectidos até não aguentarmos mais.

Bill enterrou a sua cabeça nos meus cabelos e descansou o seu corpo abraçado ao meu.

 

P.s Este capítulo é dedicado a todos o que o leram.xD Ah! E quanto ao problema da net ta resolvido felizemente.

music: In die nacht
I feel like...: Aliviada

Written by Rachel às 12:20 pm
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Wednesday, July 23rd, 2008

O meu quinto elemento - 12

Aprender

 

Era aquilo que eu tinha de fazer. Aprender com os meus erros, aprender com as cabeçadas constantes contra as paredes, aprender com os episódios tristes da minha vida, aprender com a dor, aprender com a desilusão, aprender com as pessoas que me tentavam ensinar.

No fim de passar por tantas dificuldades, acho que consegui aprender algo, pois nós devemos tirar partido tanto das coisas boas como das coisas más que acontecem durante a nossa existência. 

Aquilo com que nos deparamos, no dia-a-dia, deve ser a chave mágica para sermos felizes, deve ser o ingrediente especial na receita da nossa vida.

Nada acontece por acaso.

Tudo tem um significado, um sentido. Uma lição de vida que, por mais que nos pareça impossível suportar, no momento em  que passamos por ela, nos vai ser fundamental para lidarmos com certas e determinadas situações que se cruzarão, mais tarde, no nosso caminho.

A nossa felicidade vai depender única e exclusivamente de nós próprios. Não podemos culpar ninguém pelo nosso fracasso, pela nossa falta de coragem ou pelo simples facto de termos medo de falhar, de não suportarmos a ideia de não conseguimos atingir uma determinada meta e limitarmo-nos a ficar sentados no sofá sem sequer tentar.

É preciso acreditar. Temos de ter fé em nós mesmos. Uma fé que tem de nascer de dentro de nós. Algo inabalável, que nem um vulcão em ebulição, um sismo que abale todo o planeta ou uma avalanche furiosa consiga demover. Algo forte e unânime. Algo pelo qual valha pena viver.

Não o simples viver de acordarmos todos os dias e sabermos que ainda respiramos.

Mas sim uma vida em que somos realmente felizes, em que partilhamos cada alegria com as pessoas que mais gostamos, em que nos sintamos realizados, em que chegamos a casa e temos aquele cachorro enorme e peludo à nossa espera para nos saltar para cima e nos lamber a cara toda.

Era por tudo isto e por muito mais que eu iria continuar a lutar.

Eu desperdicei toda a minha vida, até hoje, a tentar que as pessoas gostassem de mim sem me preocupar com o que eu sentia, tentei fazer com que minha relação com o Richard desse certo sem existir amor de ambas as partes, passei um ano inteiro a sofrer pelos cantos sem ele o merecer, perdi um ano de estudo por sua causa, deixei que o amor da minha vida fosse perfurado por um tiro que devia ter-me atingido a mim, mas isso acabara.

Agora que finalmente tinha aberto os olhos, não iria deixar escapar a oportunidade de ser feliz..

E, a primeira coisa a fazer era trazer a minha felicidade para junto de mim.

 

Bill amor, estou farta de estar fechada neste hospital cheio de doentes, cheio de tristeza e podridão. Vamos para casa? E, é claro, que o Tom vem connosco. Não é querido? - disse eu cheia de confiança e amor no olhar.

 

Aqueles dois seres divinos ficaram embasbacados a olhar um para o outro. Não tinham percebido de onde viera aquela minha súbita mudança de atitude. Mas, passado alguns segundos, disseram em uníssono:

 

Sim!

 

P.s Desculpem só postar agora mas a minha net não tem dado e tive de vir a casa de uma amiga. Não sei quando vou poder postar mais, mas espero que em breve. E peco desculpa tbm por nao poder comentar os blogs!

I feel like...: Possessa
music: Rette mich

Written by Rachel às 02:42 pm
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